Proposta de flexibilização das normas sobre armas
A proposta de criar uma espécie de Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para armas não consta oficialmente no plano de governo de Flávio Bolsonaro (PL). Este documento menciona investimentos em armamentos para as forças de segurança, mas não detalha medidas para facilitar o acesso da população a armamentos. No entanto, membros da bancada armamentista do Congresso já começaram a discutir mudanças nas legislações vigentes, com o objetivo de revogar decretos que foram estabelecidos sob a administração de Lula (PT), que visavam controlar a liberação de armas durante o governo de Jair Bolsonaro.
Entre os parlamentares mais ativos nesse debate está o deputado federal Paulo Bilynskyj (PL-SP). Em uma declaração feita a um influenciador digital, Bilynskyj expressou sua intenção de eliminar todos os decretos do governo Lula que restringem o uso de armas, ignora limites de quantidade de armamentos e propõe a revogação da comprovação da “efetiva necessidade” para o porte de armas, transformando esse porte em algo similar à CNH.
Reações e apoio de parlamentares armamentistas
Bilynskyj argumenta que ao eliminar a necessidade de justificar o porte, a obtenção de arma seria facilitada, exigindo apenas que o cidadão passasse em exames psicológicos e práticos, além de não ter antecedentes criminais. Essa ideia foi reforçada por Marcos Pollon (PL-MS), que também foi chamado para integrar a equipe de transição de Flávio Bolsonaro na área de controle de armas. Pollon expressou sua alegria com o convite, destacando sua responsabilidade em revisar as políticas de armamento da população.

Pollon, em convergência com as ideias de Bilynskyj, mencionou que as propostas para a flexibilização das normas estão em desenvolvimento, prometendo que o texto que revisará as regras para o acesso a armas está quase finalizado. Ele enfatizou que a intenção é tornar a autorização para comprar e portar uma arma tão simples quanto obter uma carteira de motorista, substituindo a análise individual por critérios mais objetivos.
No entanto, essa agenda de flexibilização não encontra eco na opinião pública. Pesquisas, como a do Datafolha, revelam que a maioria da população, especialmente as mulheres, se opõe à ideia de facilitar o acesso a armas, refletindo um sentimento amplamente crítico em relação à proposta de transformar o porte de armas em uma espécie de CNH.
Por fim, é importante destacar que a postura adotada por Bilynskyj e Pollon contrasta não apenas com a opinião pública, mas também com análises sobre as consequências da flexibilização da posse de armas, que, segundo especialistas, já resultou em falhas graves no controle e segurança, aumentando os casos de armamento ilegal e violento no país.



