O mercado automotivo brasileiro tem enfrentado um aumento significativo no valor dos carros, tanto novos quanto usados. Esse fenômeno é influenciado por mudanças nas alíquotas de impostos de importação e pela dinâmica interna das montadoras.
Como está o mercado automotivo?
Recentemente, o aumento do valor dos carros tem sido um tema recorrente no mercado automotivo. No primeiro trimestre de 2026, por exemplo, os preços dos automóveis usados no Brasil apresentaram uma elevação de 2,16%, sendo essa a maior alta para o período em quatro anos. Ao olhar para um período mais extenso, a valorização dos veículos nos últimos 12 meses alcançou 7,33%, destacando um trend crescente que também se reflete nas vendas.
O semestre de 2026 começou de forma animadora, com mais de 832 mil carros emplacados até abril. A combinação entre a demanda aquecida e diversos fatores econômicos tem contribuído para manter os preços em um nível elevado, refletindo as tendências de consumo e a recuperação do setor.

O aumento da alíquota para elétricos e híbridos
Os consumidores que estavam avaliando a compra de carros elétricos e híbridos importados notaram um aumento significativo nos preços, principalmente devido ao aumento da alíquota do Imposto de Importação, que foi elevando para 35% a partir de 1º de julho de 2026. Essa mudança que encerrou um ciclo de isenção gradual dos impostos, busca incentivar a produção local, fazendo com que as montadoras estabeleçam operações no Brasil ao invés de apenas importar veículos prontos.
Isso resulta num impacto direto sobre o aumento do valor dos carros eletrificados, pois a imposição de impostos mais altos nos veículos importados tende a refletir nos preços ao consumidor final.
CKD e SKD: o que significa essa sopa de letrinhas?
Para entender melhor como o mercado automotivo se ajusta a essa nova realidade, é fundamental conhecer os termos CKD e SKD, que se referem às diferentes formas de importação de veículos. O modelo SKD (Semi Knocked Down) consiste em carros que chegam ao Brasil parcialmente montados, necessitando apenas de encaixes finais. Desde julho de 2026, os modelos elétricos e híbridos nesse formato também são taxados a uma alíquota de 35%.
Por outro lado, no formato CKD (Completely Knocked Down), os carros são enviados em peças, exigindo uma montagem completa nas fábricas brasileiras. O governo, para estimular a instalação de fábricas locais, manteve a alíquota para os modelos CKD em apenas 14% até o final de 2026. Isso representa uma importante oportunidade para a indústria local e também pode resultar em diminuição dos preços de carros ao longo do tempo.
O que tudo isso muda para você, motorista?
Os efeitos do aumento do valor dos carros importados e da nova taxação devem ser analisados sob diferentes perspectivas. Aumento nos preços existem devido à alta taxação, mas há também uma expectativa de que isso promova o desenvolvimento da indústria automotiva nacional, com mais fabricantes se estabelecendo no Brasil.
No curto prazo, a tendência é que os preços dos veículos importados fiquem mais altos nas concessionárias. Contudo, no médio e longo prazo, a probabilidade é de que a produção nacional amplie, o que pode baratear custos e, consequentemente, estabilizar o mercado, trazendo benefícios tanto para os consumidores quanto para a economia como um todo.

